Taxa SELIC: Fundamentos
A taxa SELIC (Sistema Especial de Liquidação e de Custódia) é conhecida pelo mercado como a taxa básica da economia brasileira.
Essa taxa é definida pelo COPOM (Comitê de Política Monetária do Banco Central) e sua principal serventia é atuar nos empréstimos de curtíssimo prazo (de um dia para outro).
Apesar disso parecer pouco, na verdade, influencia toda a economia.
Para entender a funcionalidade dessa taxa e a razão de sua existência, imagine uma situação como a seguir: Uma pessoa que definirei como a Pessoa 1 decide depositar R$10.000,00 na sua conta corrente no Banco X.
Esse dinheiro não estará por lá por muito mais tempo, por mais que a Pessoa 1 imagine que o dinheiro repousa em algum cofre, ou registro num banco de dados.
O sistema financeiro atual é baseado em reservas fracionárias – apenas uma porcentagem desse valor precisa permanecer no banco (na data da escrita desse artigo, o banco central especificou em 21%). Continuando com esse exemplo, o Banco X decide emprestar o montante permitido de R$7.900,00 à Pessoa2.
A Pessoa 2 tem agora esse valor em sua conta corrente que estará num outro banco, nesse caso, o Banco Y. Ato contínuo, o Banco Y irá por agora manter o valor de 21% permitido na sua conta e poder utilizar para empréstimos o restante desse valor, que seria nesse caso de R$6.241,00.
Essa é a forma como o dinheiro é multiplicado – e, não precisa ser muito inteligente para isso, imaginar como distorce toda a economia – conhecido como Multiplicador Monetário.
Para calcular isso, usa-se a equação do multiplicador monetário:
Onde:
M é o multiplicador monetário.
r é a taxa do depósito compulsório em formato decimal (21% = 0,21).
Primeiro, descobre-se a taxa de multiplicação:
Isso significa que o dinheiro inicial pôde ser multiplicado em até 4,76 vezes. Agora, aplicado ao exemplo anterior, esse valor total pode atingir até R$ R$47.619,05, como apresentado abaixo:
Valor Total = 10.000,00 × 4,76 = R$47.619,05
Entendendo o Multiplicador Monetário, agora pode-se avançar uma outra etapa para entender como o valor da taxa Selic é determinado.
Muitas vezes, os bancos chegam ao fim do dia com suas reservas numa porcentagem menor que o Banco Central determina que eles tenham para aquele dia em relação aos seus depósitos à vista.
Para resolver esse problema, ele deverá ter que recorrer a outros bancos para que seus balanços estejam corretos. A taxa cobrada pelo banco que terminou o dia com superávit (depósito maior que os saques) é chamada de taxa interbancária (a própria taxa Selic).
Existe a possibilidade também do próprio banco ajustar o seu balanço via Banco central – chamada de redesconto – mas é uma prática pouco utilizada por ser mais cara. A cobrança dessa taxa ocorre por uma parte em 252 (número de dias úteis no ano).
No momento da escrita desse artigo, a taxa SELIC é de 13,75%. Utilizando a equação abaixo:
Ou, se encontrar o valor diário, eleva-se à potência de 252, que fará o resultado ser o mesmo. No valor calculado da data corrente, SELIC Diária foi de 0,0507%.
Agora, falando das consequências da taxa SELIC.
Se os bancos emprestarem dinheiro em demasia, haverá um excesso de dinheiro na economia – e por óbvio, a produção não aumenta nessa escala – gerando inflação (não tratarei do efeito Cantillon nessa situação, que só piora tudo para a compreensão do multiplicador monetário).
Ocorrendo esse efeito, é necessário que a taxa Selic suba para frear o aumento da inflação em toda a economia. Nesse exemplo, subindo a taxa Selic, os bancos terão um custo maior para pegar dinheiro entre si – o retorno deixando o dinheiro no Tesouro Nacional se torna mais atrativo também – e consequentemente, haverá um aumento nas taxas de juros.
Isso fará com que as pessoas pessoa1 e pessoa2, caso queriam contrair empréstimos futuros, terão que pagar um juro maior.